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Para além de Santa Cruz: que bairro escolher em Sevilha

8 setembro 2026

Para além de Santa Cruz: que bairro escolher em Sevilha

São nove da manhã na Rua Mateos Gago e já há quem se tenha detido em frente à montra de uma loja de leques para tirar uma fotografia com a Giralda ao fundo. Não é por acaso: poucos cantos de rua em Espanha são tão fotogénicos como este, em Santa Cruz. Mas Sevilha não cabe nesse único enquadramento, e quem só vê o bairro da catedral fica a perder metade da cidade.

Santa Cruz, a escolha clássica (e porque vale a pena olhar para além dela)

Santa Cruz é, compreensivelmente, a primeira resposta que a maioria dos guias dá quando se pergunta onde ficar em Sevilha: ruas estreitas e caiadas de branco, pátios cheios de flores, a Catedral e o Real Alcázar a poucos passos. É um bairro tão procurado que, desde outubro de 2024, a câmara municipal limitou as novas licenças de arrendamento de curta duração a 10 % da habitação por bairro, e no coração de Santa Cruz esse limite já foi atingido. Na prática, isto significa que o alojamento no centro histórico tem um teto, o que torna ainda mais interessante conhecer os bairros à volta, vários deles a um quarto de hora a pé e com um carácter que Santa Cruz, precisamente por atrair tantos visitantes, foi perdendo em parte.

Triana, o bairro com mais alma, a doze minutos do centro

Atravessar a ponte Isabel II, a que toda a gente chama simplesmente a ponte de Triana, muda o ritmo da visita. Do outro lado do Guadalquivir, a cerâmica continua a ser feita à mão: o Centro Cerâmica Triana ocupa a antiga fábrica de Santa Ana e dá continuidade a um ofício que ali se tem vindo a aperfeiçoar há séculos. O mercado de Triana, construído sobre os restos do antigo Castelo de São Jorge, celebrou os duzentos anos em 2023, e as suas bancas ainda exibem placas de azulejos pintados à mão.

A distância não é um problema: a partir da ponte, a Plaza Nueva fica a cerca de doze minutos a pé, e a maioria dos monumentos do centro fica a quinze ou vinte minutos. Esta é a Sevilha das tabernas de flamenco de sempre, dos passeios junto ao rio ao entardecer e dos bares que fritam peixe da mesma forma há décadas.

Alameda de Hércules e Feria: a Sevilha que também ganha vida à noite

A Alameda de Hércules é, segundo contam os historiadores, o jardim público mais antigo de Espanha: traçada em 1574 sob o mandato do Conde de Barajas, continua a ser uma praça aberta rodeada de esplanadas. De dia é tranquila; à noite transforma-se num dos principais polos de vida noturna da cidade e no centro da cena LGBTQ+ de Sevilha. Os bairros em redor, Feria e San Vicente, juntam feiras de velharias, tabernas históricas e uma oferta de restaurantes que não para de crescer, tudo isto a dez ou quinze minutos a pé da Catedral. Os alojamentos da Aspasios em Sevilha, apartamentos e hotéis boutique Aspasios, foram pensados a partir desse mesmo equilíbrio: localizações centrais a poucos minutos dos principais pontos de interesse da cidade, em ruas que se vivem durante todo o ano.

El Arenal, monumentos e tapas junto ao rio

El Arenal oferece talvez a melhor combinação de património e proximidade: a Torre del Oro, de 1220, a praça de touros da Real Maestranza e o teatro que partilha o mesmo nome ficam todos a menos de dez minutos da Catedral. É também um território clássico de tapas, com bares centenários em ruas como a García de Vinuesa, ideal para quem quer ter tudo à mão.

Los Remedios e Nervión, residenciais e sem pressas

Los Remedios é o único bairro moderno de Sevilha construído de raiz como tal: avenidas largas, edifícios das décadas de 1960 e 1970, e um ambiente mais calmo que liga ao centro através das pontes de San Telmo e de Los Remedios, ou de algumas paragens de metro. É aqui que se instala, todas as primaveras, o recinto da Feria de Abril. Nervión, junto à estação de Santa Justa, tem menos peso monumental mas excelentes ligações. Ambos são boas opções para viajantes que já conhecem o centro histórico e procuram dias mais calmos, ou que simplesmente valorizam ter mais espaço depois de um dia de visitas.

Macarena, o bairro a norte de mercados e devoção

Do outro lado das antigas muralhas da cidade, ainda de pé em parte, Macarena mantém o seu próprio ritmo: um mercado de produtos frescos, bares antigos e a basílica que dá nome ao bairro e alberga uma das imagens devocionais mais queridas da Semana Santa sevilhana. Fica a cerca de quinze minutos a pé do centro histórico, com preços de alojamento que tendem a ser mais acessíveis do que nas zonas mais procuradas.

Então, onde ficar?

Não há uma única resposta certa, e essa é a boa notícia: Sevilha é suficientemente compacta para se percorrer a pé a partir de quase qualquer bairro. Quem visita a cidade pela primeira vez e quer ter a Catedral ao virar da esquina faz bem em escolher Santa Cruz ou El Arenal. Quem já conhece a cidade, ou simplesmente procura outra perspetiva, pode atravessar a ponte até Triana, prolongar a noite na Alameda, ou instalar-se em Los Remedios e descobrir que doze minutos a pé não são distância nenhuma. No fundo, a questão não é tanto onde dormir, mas sim quantas versões de Sevilha se quer viver numa só viagem.

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